Terça-Feira, 02 de Setembro de 2014

 
 
Dicas e Guias
Guias Aquário de Ciclídeos Africanos - Cuidados e Montagem

Este aquário de água doce tem algumas particularidades, pois os ciclídeos africanos são peixes territoriais e vivem num pH mais alcalino. Então devemos prover muitas tocas e controlar o pH e a dureza da água (KH e GH).

Existem várias maneiras de se montar o seu aquário. Aqui vamos tratar de um aquário com sistema de filtragem externa, visto que é o mais eficiente e vendido nas lojas. Também podem ser feitos sistemas externos com caixa de filtragem ("sump") ou ainda utilizar um filtro biológico mais eficiente como os de areia fluidizada

MONTAGEM

Os seguintes itens são necessários:

o aquário: prefira aqueles acima de 100 litros e retangulares para ter uma maior estabilidade, praticidade e mais espaço para uma maior variedade de peixes. Note que tamanhos maiores são mais caros, mas muito mais fáceis de serem mantidos;

filtro externo: este aparelho é fundamental e imprescindível para um bom aquário. Verifique a capacidade do filtro para o seu aquário (em torno de 5 vezes o volume do aquário por hora). Existem modelos para pendurar atrás ou ao lado do aquário e também os do tipo canister, que são colocados abaixo do aquário (este último é mais eficiente);

cascalho: calcáreo (Eco-Complete, African Cichlid Mix ou Areia de Halimeda), (diâmetro em torno de 3 a 6mm), para uma melhor filtragem biológica e manutenção do pH, KH e GH (leia mais sobre esses parâmetros aqui). Coloca-se diretamente no fundo uma espessura de 4 a 6cm (às vezes pode ser usado uma Placa Colméia para distribuir melhor o peso das rochas decorativas);

bomba submersa: use em torno de 5 a 10 vezes o volume do aquário passando pelas bombas por hora (sem considerar o filtro externo). Pode parecer muito, mas uma boa movimentação e circulação são fundamentais para uma ótima eficiência oxigenação e circulação de água, dando maior estabilidade ao aquário;

termômetro: para medir a temperatura, que deve ser em torno de 26 a 28 graus Celsius;

um bom termostato com aquecedor: o ideal é que se tenha 1 watt/litro. Assim você poderá manter uma temperatura estável e segura para seus peixes;

lâmpadas fluorescentes: servem para deixar realçada as cores dos peixes, não há recomendação específica. Quanto ao tipo, podem ser brancas com azuis, deixando-as ligadas de 6 a 10 horas por dia;

um sifão: que é simplesmente uma mangueira de pequeno diâmetro com um tubo na ponta de maior diâmetro, servindo para aspirar o fundo do aquário para retirar o excesso de detritos depositados entre o cascalho, juntamente com a água. É talvez uma das peças mais importantes do aquário, embora seja usado apenas uma vez a cada um ou dois meses;

pedras para decoração: pedras grandes e calcáreas (Rocha Morta, Rocha Vulcânica ou Pedra em Placa). Cuidado com algumas pedras que podem soltar resíduos no aquário ou interferir no pH. E também com troncos que podem reduzir o pH e deixar a água com cor de chá;

testes: de pH (ideal entre 7,8 e 8,6), KH (entre 8 e 12), GH (entre 12 e 20) e Amônia (0ppm, pois é super tóxica em pH alcalino), estes são os essencias, mas existem outros;

obs.: no caso do filtro externo, você pode utilizar somente ele, desde que ele também faça filtragem biológica, só cuidando para ter uma circulação suficiente para os ciclídeos com mais bombas submersas.

COMO USAR E PARA QUE SERVEM OS EQUIPAMENTOS

Muito bem, já temos os equipamentos necessários, agora mãos a obra!

Primeiro colocamos o cascalho que deve ser muito bem lavado antes de ser colocado no aquário. E arrumamos as rochas ou pedras calcáreas, para que fiquem formando refúgios para os peixes, deve se ter cuidado para que fiquem firmes.

Com um anteparo no fundo (prato raso), enchemos o aquário – com água da torneira mesmo. E para tratar essa água, usamos um produto chamado AquaSafe ou outro similar, tirando assim o cloro, neutralizando os metais pesados e repondo a membrana protetora (muco) dos peixes.

Como o pH e o KH natural (mesmo de água mineral) é no máximo 7,8 e 6, respectivamente, devemos utilizar um tamponador. Que nada mais é que um mistura de sais carbonatados, para ajustar o pH e o KH em níveis ideais para os ciclídeos africanos.

Por último colocamos o filtro externo, bomba(s) de circulação e o termostato com aquecedor.

Mas para que serve tudo isso?

Depois de algum tempo que a água já estiver circulando pelo aquário – dentro de uma semana, pelo menos – algumas espécies de bactérias se desenvolverão no cascalho e dentro do filtro externo, e assim se reproduzirão e irão se fixar nas microporosidades das pedrinhas e da esponja. Estas são bem vindas, benéficas e indispensáveis em nossos aquários. Serão responsáveis pela “transformação” ou melhor dizendo, redução dos compostos orgânicos produzidos em nossos aquários como fezes, restos de comida, etc. Tornando assim nossos aquários habitáveis para peixes das mais diversas espécies. Para isso você precisa de uma área de superfície razoável e uma circulação constante (24 horas por dia).

Daí então, após um período de aproximadamente 21 dias é que começamos a habitar o aquário (comece com peixes pequenos). Pois neste período conseguimos estabilizar o filtro biológico (zerando a Amônia), o pH, o KH e a temperatura, dando condições ótimas para os peixinhos.

Para se reproduzirem em quantidade adequada e realizarem suas funções de maneira mais eficaz, devem ser altamente oxigenadas e principalmente devemos manter nosso aquário o mais limpo possível, o que significa, alimentação na quantidade suficiente, quantidade não exagerada de peixes e trocas parciais com o sifão.

Para oxigená-las é que usamos as bombas submersas, que puxam a água sob o cascalho jogando na superfície do aquário. Provocando movimentação na água e desta maneira provendo oxigênio que esta no ar. Não há necessidade de bolhas em nossos aquários. A movimentação causada pelas bombas é suficiente.

Quanto aos testes, devem ser feito periodicamente para se manter em níveis estáveis.

Se não for querer esperar o tempo normal de estabilização biológica do aquário, que é de cerca de 3 a 4 semanas, você pode  adicionar bactéria viva (Seachem Stability ou Sera Nitrivec), que ajudará a estabilizar o aquário mais rapidamente.

Mas e a limpeza? Aquelas bactérias são suficientes?

Não. Devemos colaborar para que trabalhem bem. Alimentação de maneira racional (o suficiente para ser consumida em poucos minutos) e quantidade moderada de peixes ajudam, mas além disso ter um bom filtro externo e sifonarmos nosso aquário a cada um ou dois meses.

O filtro externo é um equipamento que fica disposto na lateral ou atrás do aquário, uma bengala puxa água do aquário com bomba própria e em sua cuba existem elementos filtrantes, como: filtro mecânico (lã acrílica ou esponja) responsável pela retenção de detritos, filtro químico (carvão ativado) que absorve alguns elementos tóxicos do aquário (como fenóis e gases) e dependendo da marca, um elemento filtrante biológico (cerâmica, placa plástica ou esponja). É muito importante que se faça uma troca dos refis (químico e mecânico) do filtro uma vez a cada um ou dois meses e também limpá-los uma vez por semana em água corrente com o cuidado para não estragá-los.

A sifonagem é muito importante. Com o sifão devemos aspirar o fundo do aquário, (de preferência todo ele. Isto faz com que tiremos o excesso de sujeira do aquário mais água velha e recolocamos água nova com micronutrientes importantes para o desenvolvimento de peixes e das bactérias) jogando a água fora e colocando água nova, sem cloro, com pH e temperatura próxima a do aquário.

Como assim?

Os peixes e organismos habitantes de nosso aquário necessitam para sua formação e metabolismo, alguns elementos existentes na composição da água. Com o passar do tempo este consumo acaba esgotando total ou parcialmente estes oligoelementos tornando a água pobre, por isso devemos sempre trocar um pouco. E ainda há a quantidade de sólidos que vão se acumulando com o passar do tempo e tornando-se em altas concentrações prejudiciais aos peixes e a única maneira de baixá-los é trocando a água.

“Mas eu reponho água quando evapora...” Sim, mas os sólidos continuam lá! Não há troca, porque a água que evapora não leva esses sólidos. Então, não deixe de fazer trocas parciais. Elas são responsáveis por 70% do sucesso de um aquário por longo tempo.

Quanto trocar?

25% no máximo por vez (1/4 do volume total), ou seja, num aquário de 100 litros devemos tirar no máximo 25 litros. Se não der para sifonar todo o fundo com 25%, tudo bem. Na próxima troca, comece a sifonar pela parte que sobrou da última vez.

Mas as bactérias estão no cascalho, sifonando o fundo não as tiramos do aquário?

Sim, mas em quantidade perfeitamente recuperável pelo aquário em pouco tempo. Não se preocupe com isso, apenas evite trocar mais que 25%.

Antes de adicionar água nova no aquário não se esqueça de utilizar um condicionante e verificar o pH e a temperatura, devem ser semelhantes a do aquário.

Desta forma, com a água e o aquário mais limpos, temos um ambiente mais estável. O pH não cai como nos aquários mal cuidados e não há “prazo de validade”, ou seja, o aquário não acaba, não existem mais períodos de mortes incontroláveis e tudo passa a andar melhor. Peixes mais saudáveis, menos dinheiro jogado fora e aí sim podemos ter aqueles peixes considerados mais sensíveis ou mais caros.

Nunca tire tudo do aquário para lavar pedras e trocar toda água. Nem lavar na torneira esponja ou placa biológica. Isto é um crime! Veja, um aquário para atingir a maturidade plena leva cerca de 6 meses. Se trocarmos tudo, lavando pedras e etc., teremos uma perda total de nosso equilíbrio e nossas bactérias. Com um bom filtro externo, sifonagem periódica com trocas parciais e quantidade controlada de peixes e alimentação, nunca haverá esta necessidade.

RESUMINDO...

Você precisa de:

  • equipamentos adequados
  • manutenção correta e periódica
  • alimentação racional (mas não pouca) e bem variada
  • comprar peixes saudáveis, em local onde tenham aquários limpos e não hajam peixes doentes compartilhando da mesma água
  • teste de pH, KH, GH e talvez amônia, nitrito (para verificar se o filtro biológico está trabalhando corretamente) – são os mais comuns, mas existem outros.

Você não precisa de:

  • trocas totais de água
  • lavagens do aquário
  • medicamentos preventivos.

Obs.: medicamentos devem ser evitados a qualquer custo usados apenas quando necessários. Qualquer medicamento prejudica o equilíbrio biológico do aquário. Não esqueça de retirar o carvão ativado, para não cortar o efeito do produto. E após o uso de algum medicamento, recoloque o carvão ativado, troque 20% da água e na semana seguinte mais 20 %.

DICAS

Cuidado com muitos Pseudotropheus sp. e Melanochromis sp., no mesmo aquário, coloque-os em quantidades menores, pois acabam brigando muito.

No caso de se utilizar somente o filtro externo, deve-se ter cuidado para não lavar o elemento filtrante biológico em outra água que não seja a do aquário. Isto para não eliminar as bactérias benéficas a ótima filtragem biológica do aquário. E talvez tenha necessidade de se utilizar uma bomba interna somente para circulação.

Não se esqueça, quando comprar um peixinho deixe o saco flutuando no aquário uns 10 minutos, daí então coloque água do aquário dentro do saco de 5 em 5 minutos até que o pH esteja semelhante. Então solte somente os peixes, sem a água e complete o aquário com água sem cloro.

Obs.: Este artigo foi baseado em um texto retirado da Revista Vida no Aquário – Ano 02 – Edição de 08/1997. E escrito por Sérgio Gomes (colaborador de aquarismo e escritor dos livros: “O Aquário Marinho e as Rochas Vivas”, "O Aquário de Água Doce sem Mistérios" e “Guia Básico de Corais e Invertebrados”). Você também pode visitar estes sites: www.cichlidae.com (americano) e www.abacca.hpg.ig.com.br (brasileiro).

BIBLIOGRAFIA

  • Back to Nature - Guide to Malawi Cichlids - Ad Konings
  • Back to Nature - Guide to Tanganyika Cichlids - Ad Konings
  • O Aquário de Água Doce sem Mistérios -Sérgio Gomes
  • Primeiro Aquário - Sérgio Gomes
  • Revistas Aquamagazine.
  • E tendo qualquer dúvida entre em contato conosco.

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